REA e engenharia reversa com IA: a IA consegue copiar qualquer software?
O REA (Reverse Engineer Anything) passou de 350 mil estrelas no GitHub e reacendeu o debate: a IA consegue copiar qualquer software? O que ele faz, o que não faz e o cuidado no uso.
Em resumo
- O porém
- O REA não clona programa sozinho e não quebra proteção contra cópia. E os clones que viralizaram estão longe de prontos: o repositório do PhotoCraft, a alternativa ao Photoshop, foi criado em 30/09 e já tinha mais de 800 problemas abertos em 13/10, segundo o Akita.
Em outubro, um programador lançou sete alternativas grátis aos programas da Adobe com ajuda de IA, e emuladores de PS5 começaram a rodar jogo exclusivo no computador. A pergunta que tomou a internet foi: a IA consegue copiar qualquer software? No meio desse debate está a engenharia reversa, e um projeto em especial, o REA, que saiu do zero e passou de 350 mil estrelas no GitHub.
O que é
Engenharia reversa é entender como um programa funciona olhando o próprio programa, sem ter o código-fonte dele.
O REA (Reverse Engineer Anything) é um projeto open source, com licença MIT, que dá essas ferramentas a um agente de programação. Segundo o README, ele inspeciona o app sem o código-fonte, explica como uma função funciona, mostra as evidências e monta uma versão para o seu projeto.
Na apuração (21/10/2026), o repositório morluto/rea tinha 356,4 mil estrelas e 89,5 mil forks no GitHub, com o gráfico de estrelas subindo quase na vertical em outubro.

Como funciona
O REA não é um app para abrir e clicar. Ele se instala dentro de um agente de programação, como Claude Code, Codex, Cursor ou Gemini CLI, segundo o README. Você pergunta ao agente sobre um programa, e o REA dá a ele as ferramentas para olhar por dentro.
Segundo o projeto, ele analisa binários nativos, apps em JavaScript e Electron, sites, APKs de Android, programas .NET, firmware e jogos antigos. Na análise nativa, devolve pseudocódigo e assembly, e o agente usa essas pistas para escrever e testar uma implementação. O FAQ avisa: a análise roda na sua máquina, mas o resultado vai para o agente, e o provedor do modelo tem a própria política de dados.
O site oficial dá um exemplo simples, o jogo do dinossauro do Chrome. O agente lê o código do jogo rodando e encontra a regra: a velocidade começa em 6 e aumenta um pouco a cada atualização enquanto está abaixo de 13.

O que mudou com a IA é a velocidade. Segundo Rafael Roman, que trabalhou com prevenção a crimes financeiros no N26, ler um programa desses levava semanas de especialista e agora leva uma tarde.
Para que serve no dia a dia
O projeto diz para que ele existe: pesquisa legal, educação, interoperabilidade, preservação de software e análise de programas que você tem ou está autorizado a examinar. Na prática:
- Entender um programa seu sem o código: aquele sistema antigo que ninguém mais sabe como funciona.
- Fazer dois sistemas conversarem: descobrir como um programa seu funciona para integrar com outro.
- Achar o atalho antes dos outros: se você tem um app ou site, conferir se não ficou senha escrita no código ou verificação que só existe na tela.
- Preservar o que é antigo: o projeto cita jogos como DX-Ball, de 1996.
Vale dizer: exige terminal, Node.js e um agente de programação. Não é para quem nunca abriu um terminal.
Como usar
- Tenha um agente de programação instalado e o Node.js 22 ou mais novo, segundo o README.
- Baixe só do repositório oficial e rode no terminal:
npx rea-agents setup
- Para analisar programas nativos, o README pede um destes: Hopper, Ghidra ou IDA.
- Peça ao agente, sempre sobre um software seu ou que você tem autorização para examinar:
Use o REA para inspecionar este programa, que é meu. Explique como funciona a função de exportar arquivos e mostre as evidências que você encontrou.
O porém
O REA não clona programa sozinho e não quebra proteção contra cópia. E os clones que viralizaram estão longe de prontos: o repositório do PhotoCraft, a alternativa ao Photoshop, foi criado em 30/09 e já tinha mais de 800 problemas abertos em 13/10, segundo o Akita.
Segundo o Akita, que leu o repositório, as regras de contribuição do REA excluem quebrar DRM, anticheat e licença. O aviso do projeto é claro: uso legal, só em software seu ou que você está autorizado a examinar.
Baixe só do lugar oficial. O projeto avisa que só vale o que vem de morluto/rea, de rea.tools ou do pacote rea-agents no npm; repositório com nome parecido ou README copiado não prova nada.
E o seu dinheiro? Segundo a Reuters (2017), 43% dos sistemas bancários foram construídos em COBOL, uma linguagem de 1959, e sistema antigo esconde atalho. Mas, segundo Rafael Roman, desmontar o aplicativo do banco não mexe no seu saldo: o app é só o "formulário de pedido". O dinheiro fica no servidor, que confere quem você é antes de qualquer transferência. Os ataques reais continuam sendo phishing, sessão roubada e falha no servidor.
Onde pegar
- REA no GitHub (repositório oficial, MIT)
- Site oficial do REA
- Adobe, PS5 e o que o REA faz de verdade (Akita)
- Por que isso não mexe no dinheiro do seu banco (Rafael Roman)
Fontes
- Repositório morluto/rea no GitHub (estrelas, forks, licença, instalação, requisitos, FAQ, avisos) e site rea.tools (exemplo do dinossauro), conferidos em 21/10/2026.
- Blog do Akita (akitaonrails.com, 13/10/2026): as sete alternativas aos programas da Adobe, o PhotoCraft, as regras do REA e os emuladores de PS5.
- Inven Global (06/10/2026) e Adrenaline: Astro Bot rodando no PC.
- Artigo de Rafael Roman (rafaelroman.com): tempo de análise e cliente × servidor.
- Reuters (2017), citada por TechTarget e BMC: 43% dos sistemas bancários em COBOL.